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sábado, 16 de abril de 2011

BLOGAGEM COLETIVA - INFÂNCIA

Esta é a segunda postagem da blogagem coletiva da qual, com muito prazer, estou a participar, e desta feita o tema é INFÂNCIA.

Lembrar da infância, acredito eu, é algo que provoca emoções distintas em cada um de nós. Nem sempre essas emoções são positivas, e por isso mesmo há quem tenha traumas provocados durante esse importante período que é a infância. E quando não chega a tanto, conheço algumas pessoas no mínimo, que preferem não recordar a própria infância. Os motivos? São vários. Ou porque sofreram maus tratos por parte dos pais, abusos, ou por muitas outras razões complexas que têm a ver com a individualidade de cada um, a educação e o amor/atenção que não receberam.

Enfim ... quando penso nisso fico consternada, porque todas a crianças merecem uma infância feliz, da qual, um dia mais tarde, se possam lembrar com carinho e saudade.

No meu caso ... ah, que doces lembranças. Graças a Deus. São tantas memórias que se misturam em desordem que nem sei por onde começar, mas tive por certo o privilégio de ter sido criada com muito amor.

Os meus pais não poderiam ter sido melhores. Foram pais presentes, amigos e dedicados.

Sim, fui a menina do papá durante toda a vida. Inclusive acho que ainda sou hehehehe. Dele herdei o gosto pela leitura, pela escrita, e toda essa sensibilidade. Ele é um homem muito intenso, profundo e soube passar isso para mim, mesmo que inconscientemente.

Da minha mãe herdei a determinação, a teimosia, o senso prático para contrabalançar as coisas, um pouco. Ela é até hoje o meu exemplo de força e coragem, e ainda que de maneiras diferentes, ela também me transmitiu isso.

Ou seja, nós somos mesmo, na maioria das vezes, um espelho dos nossos pais, ou de um deles pelo menos. Aquele que mais nos influenciou.

Tenho saudades de brincar na rua, de andar descalça e descabelada, de tomar banho de chuva com o meu irmão e os meus primos. Era uma festa e tanto, apesar de minha avó reclamar e nos chamar para dentro alegando que poderíamos ficar doentes.

Tenho saudades da escola. Ainda me lembro do meu primeiro dia de aulas, e perfeitamente da professora Helena, que me levou até ao 4ºano. Foram anos felizes, alegres, radiantes.

Nunca fui uma criança travessa, levada demais. Até que era calminha. Adorava ler banda desenhada, entre outros livros, e desde muito cedo comecei a escrever. Inventava histórias com personagens e tudo.

Também tinha um mundo só meu, de fantasia, de faz de conta, onde eu podia ser quem eu quisesse, e fazia isso sozinha no meu quarto onde podia ficar horas a fio.

Sempre fui muito sonhadora, muito apaixonada pela vida, pelas pessoas. Gostava de todo mundo, mas lembro com saudades da minha melhor amiga daquela época. Antoniza era o nome dela.

Quem me dera poder encontrá-la agora. Acabamos por perder o contato uma com a outra, mas as lembranças que guardo dela são lindas. Muita brincadeira, muitas risadas, muita cumplicidade. Foi a minha primeira melhor amiga.

Em resumo, tive uma infância feliz. E por tudo isso, faço de tudo para que a minha filha também a tenha. Queria poder fazê-la entender que é bobagem ter pressa de crescer, mas sei que não adianta, porque também eu fui assim. Quero que ela aproveite bastante, que se divirta, que aprenda valores morais, éticos e espirituais. Faço tudo por ela, para fazê-la sempre feliz, mas também para educá-la da maneira certa, embora não exista fórmula para isso. O mais importante é o Amor.

E é verdade, não é? Na infância, o que uma criança mais precisa é de amor, atenção, dedicação. O resto são complementos. Não importa a condição social, se pode ou não comprar o jogo de última geração, pois tudo isso não tem valor diante do Amor. E quantas crianças têm ou tiveram tudo, relativamente a bens materiais, mas nem tanto de afeto?

E para encerrar esta postagem sobre a infância, quero compartilhar um sonho meu: um dia, quero ter um Lar para qualquer criança que necessite. Esse é um sonho antigo e que estou determinada a realizar. Sei que Deus vai me ajudar, pois pretendo cuidar de muitas, muitas crianças. Dar-lhes amor, preencher as lacunas que tantas trazem na alma. Ainda não sei como fazer isso, nem como vou gerir o meu tempo, mas não importa. O Universo sempre põe cada coisa no seu devido lugar, consoante as nossas escolhas, desejos e ambições. Por isso, não me preocupo com o "como" vai acontecer, simplesmente sei que vai.

Fiquem com Deus, e guardem dentro de vocês mesmos, para sempre, um pouco da criança que existe em cada um.

Beijos com amor.

terça-feira, 15 de março de 2011

FASES DA VIDA - "NASCIMENTO"


Finalmente chegou o dia da primeira blogagem coletiva, Fases da Vida. Hoje, todos os blogs participantes irão postar sobre a primeira fase, ou seja, "Nascimento".
A proposta é que uma vez por mês, a cada dia 15, se escreva sobre uma das fases da vida, cada um da maneira que quiser e que sentir, respeitando e enquadrando o tema no perfil do seu blog.
Também quer participar? É só copiar o selinho aí em cima e começar a escrever.
Vamos lá.

                                                                    NASCIMENTO

                                                     



Falar em nascimento transporta-me para um passado maravilhoso, lindo e inesquecível. Um passado que, entretanto, é vivo e presente até hoje, pois quando me lembro não acredito que já aconteceu há mais de 11 anos: o nascimento da minha filha.Mas antes de chegar ao nascimento propriamente dito, quero contar o princípio de tudo. Como ela nasceu em mim, antes de nascer para o mundo. 
Na época eu tinha 24 anos e estava cheia de planos. Tinha acabado de me mudar para o exterior do país, juntamente com o meu namorado com quem já estava há 3 anos. Eu pensava em concluir os meus estudos e quem sabe viver na Europa por alguns anos.
Mas, a Vida tem caminhos que só ela conhece, e nem sempre o destino é aquele que idealizamos ou que julgamos ser o melhor para nós.
Foi assim que me descobri grávida aos 31 de Março de 1999. 
Tenho o teste de farmácia guardado até hoje, acreditam? O terceiro que fiz, e o único que deu positivo, pois os dois primeiros foram falsos negativos.
Confesso que de início fiquei apreensiva. Afinal, estava longe dos meus pais, e a súbita gravidez não era algo com que eles estivessem a contar. Nem eu, por sinal. Pensei em mil e uma coisas, as minhas emoções misturaram-se e até cair a ficha era como se estivesse a flutuar sobre a realidade de estar grávida.
Mas, então, quando ganhei consciência do tamanho da dádiva que Deus havia me concedido, vivi os momentos mais marcantes e importantes de toda a minha vida.
Não posso deixar de contar aqui que durante os primeiros meses eu lembrava-me da frase "gravidez não é doença" e sentia vontade de esganar quem a proferiu hehehehe. 
É que tive enjoos terríveis, de manhã, de tarde e de noite, que não passavam com remédio algum, nem nenhuma receita caseira.
Não aguentava nada no estômago, sentia fortes tonturas, e permanecer em pé, especialmente na rua, ao sol, em pleno verão europeu, que é extremamente seco, era um verdadeiro "castigo".
Como se não bastasse, por volta do 5º mês de gestação tive um descolamento da placenta que me fez perder um pouco de sangue. 
Claro que corri para o hospital com muito medo do que poderia acontecer com o milagre que crescia em mim, mas graças a Deus não foi nada de grave. Fiquei 15 dias de repouso absoluto e embora continuasse com a placenta prévia até ao 7º mês a gravidez decorria normalmente.
Lembro-me de quando comecei a comprar as coisas para o enxoval. Foram momentos únicos, e eu dispunha todas as roupinhas sobre a cama e babava sobre elas. Tudo neutro, tudo lindo, mimoso, em tons de amarelinho, verdinho, bege, branco, já que não soube até a véspera se teria uma menina ou um menino.
Para mim era indiferente, só queria que ele(a) fosse perfeito(a) e saudável.
Durante toda a gravidez engordei apenas 11 kg, ou seja, nada. Tive muita sorte. A minha barriga não era grande, nem pequena. Era linda de viver, e eu adorava exibi-la na praia, etc.
Entretanto, já estava de volta a casa. Senti muita necessidade do amparo dos meus pais, e ambos foram impecáveis comigo, os pais mais maravilhosos que alguém pode ter.
E, finalmente, chegou o grande dia. 
Finalmente, literalmente, porque a minha filha devia-se sentir tão bem aconchegada dentro de mim que passaram as 40 semanas e ... nada. 41, 42 ... e então fui a consulta de rotina, sem dores, sem o menor sinal de parto, sem a mínima dilatação, e foi aí que o meu médico me disse que eu não voltaria para casa naquele dia e que seria submetida a uma cesariana na manhã seguinte.
Eu não tinha levado nada para a clínica. Nem a mala de maternidade, as coisinhas dela, nada. Mas, teria que ficar internada para os exames prévios de preparação para a cirurgia e foi a minha mãe, e a madrinha da minha filha, que foram a casa buscar as coisas que eu já tinha preparadas.
Estava tudo bem com a minha filha, mas o líquido amniótico escasseava, o espaço tornava-se cada vez mais apertado para ela e não existindo nenhum sinal de parto, a cesariana foi a decisão do médico.
Nossa! Vocês não têm ideia de quanto eu chorei nesse dia. Queria porque queria parto normal, mas o Dr. Jorge foi categórico. Não me faria uma indução de parto. E no fim deu tudo tão certo, que quando tiver outros filhos farei cesariana por opção.
Fiz a cirurgia com anestesia raquidiana, o que me permitiu estar consciente o tempo todo. E como eu falei durante todo o processo. Acho que nunca tiveram uma parturiente tão tagarela quanto eu :)
Perguntava se tinha começado, dizia que os tubos no nariz me estavam a incomodar, pedi até para vomitar rsrsrs ... mas o momento mais lindo foi quando ouvi o chorinho da minha filha. 
Eles não ma mostraram de imediato e por isso perguntei a enfermeira que estava ao meu lado "é mesmo uma menina"? Ela confirmou com um sorriso afetuoso. 
Eu só soubera na véspera. E era mesmo uma menina. Uma menina linda, perfeita, com narizinho arrebitado. 
Recordo-me de que mal a vi naquela hora, pois levaram-na logo para pesar, lavar, essas coisas.
Depois disso, fiquei sedada naquele bloco operatório durante uma eternidade (cerca de duas horas) e só então fui levada para o quarto. 
Continuava meia grogue, e lá estava a minha filhinha linda, uma boneca, um anjo, no bercinho ao lado da cama. Eu olhava, queria olhar mais, absorver aquela visão divina, mas o efeito da sedação ainda era forte e adormeci profundamente, mesmo lutando para permanecer acordada.
Quando acordei, finalmente, tinha as pessoas que mais amo na vida ao meu lado e flores no quarto. Foi esse o momento mágico, em que olhei para a minha filha de verdade e reconheci o milagre da vida que Deus havia realizado através de mim.
Quem é mãe, sabe o quão indescritível é essa sensação. É uma emoção tão imensa, uma felicidade tão grande, um sentimento de gratidão tão poderoso que palavras não servem para expressar.
E a amamentação? Nossa, eu não imaginava como seria amamentar um filho, mas essa experiência foi a mais linda de todas. 
Amamentei durante dois anos inteiros, e foi a melhor coisa que fiz na vida pela minha filha, e por mim mesma. É muito gratificante. Aconselho e recomendo. Além de todas as vantagens para a criança, sobejamente conhecidas por todos, estabelece-se um elo de ligação entre mãe e filho que não se explica. Apenas se vive. E eu vivi isso com toda a intensidade da minha alma.
E é esta a história do nascimento da minha filha, do milagre de Deus operado em mim. 
Sou muito grata por tê-lo merecido, e hoje em dia sou a mãe mais feliz do mundo.
Obrigada, meu Deus.
Beijo na sua alma.

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