quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

AGRESSÃO VERBAL



Existem pessoas que não vêm a agressão verbal como uma forma de violência, porém, ela é sim um acto de violência que fere tanto ou mais do que a agressão física.

O que fazer nesses casos? Como reagir?

Eu, pessoalmente, só vejo duas opções: ou contra-atacar dentro do mesmo nível, ou seja, agredindo de volta; ou então silenciar, deixar a pessoa a falar sozinha, ignorar, ainda que custe, mas evitar responder e dar corda a discussão.

A primeira opção traduz uma situação pela qual a maioria de nós já passou nessa vida, certo? Quem já não se viu ouvindo o que não merecia, sendo vítima de alguma injustiça, acusado de alguma coisa que não fez ou até, quem já não ouviu da mãe, do pai, do marido, da mulher, do namorado, da namorada, da vizinha do lado, do colega, do chefe, daquela pessoa "louca" na rua, etc, palavras ofensivas, dolorosas, injustas? Acredito que sim, que todos nós, de alguma maneira temos uma experiência dessas para contar, e é mais do que normal que em muitos desses casos a reacção de muitos de nós tenha sido a de se querer defender, justificar, responder e nos piores casos, devolver as ofensas.

Aí, o caos está definitivamente instalado. A discussão estende-se por mais tempo do que deveria, e pode chegar as últimas consequências. É assim que se chega facilmente a agressão física, ao um hospital, ao divórcio, ao fim de uma amizade, enfim ... tudo porque a pessoa injustiçada reagiu, e então a culpa é sua? Ou tudo por causa da pessoa alucinada que sem pensar soltou cobras e lagartos em quem não merecia?

De facto, é complexo. Não é nada fácil ficar calado enquanto uma outra pessoa, seja quem for, grita connosco, nos ofende, nos humilha, maltrata, magoa com palavras duras e ferinas. Aquelas pessoas de pavio mais curto, as que não levam desaforo para casa, certamente não deixam por menos e fazem valer o seu direito de serem respeitadas fazendo ... o quê? O mesmo que o seu agressor.

Será mesmo essa a reacção mais adequada?

Vejamos agora a segunda opção, que consiste em não alimentar a negatividade, em não dar trela para aquilo que estiver a ouvir, manter-se calado, mesmo que tenha razão. Mas ... quem cala, consente! Não é isso que diz o ditado? Como assim, permitir que alguém me diga tudo que lhe dê na telha sem me defender, sem dar o troco?

Bem, eu vejo as coisas assim, e embora não seja perfeita, muito longe disso, eu aprendi com a vida algumas coisas de grande valor. É o seguinte: não se trata de calar e consentir. Trata-se apenas de esperar o momento certo para falar, porque não existe nada para conversar com uma pessoa descontrolada. Tudo que você possa dizer em sua defesa não será entendido, já que a outra pessoa está fora de si. Ao discutir com ela apenas irá agravar o problema.

Há pessoas e pessoas, todas diferentes umas das outras. Existem algumas que descontam as suas frustrações, o seu descontentamento com a própria vida ou alguma situação específica que as esteja a incomodar em cima dos outros, e esses outros, muitas vezes, são os mais próximos. Quase sempre, na verdade! E magoam, dizem coisas que na verdade não sentem, mas que você mesmo sabendo disso, vai sentir-se magoado, ofendido, decepcionado. Principalmente, quando não é um facto isolado, quando isso acontece na primeira divergência, na primeira oportunidade.

Acredito que o melhor a fazer nesses casos seja não reagir. Não responder. Se for possível, afastar-se da pessoa dizendo apenas que irão conversar num outro momento.

Claro que não é fácil. Você sabe que é a vítima, que aquilo não está certo, e muitas vezes pode até chorar sozinho depois por causa de todas as barbaridades que ouviu.

Mas o agressor, se você agir desta forma, acabará por se calar e em muitos casos se arrepender da sua atitude. Sabe porquê? Porque você não deu corda para a raiva dele. Porque você se recusou a sintonizar-se na mesma frequência negativa que ele, e manteve, a muito custo ou não, o seu equilíbrio.

Mais tarde, se vocês conversarem, ele poderá estar mais calmo e então você poderá falar. Calmamente. Poderá dizer o que pensa e o que sente, sem gritos nem ofensas. E o outro, muito provavelmente o escutará e assumirá o seu erro. Talvez até se desculpe, embora o orgulho impeça muita gente desse gesto simples e nobre que é pedir perdão.

De uma forma ou de outra, pense nas vantagens que isso acarreta. São muitas. Menos tensão, menos stress, menos problemas, porque violência gera violência e mais violência. Já a tolerância gera tolerância, condescendência. E assim muitas vezes se evitam desfechos trágicos, tristes e dos quais ambas as partes no futuro podem se arrepender.

No entanto, é claro que nenhum de nós é santo. E que se esse tipo de agressão for recorrente, mesmo que você haja da maneira "correcta", chegará o dia em que você não terá mais forças para suportar, e aí então, a culpa não é sua, nem nunca foi. Você fez a sua parte e deve orgulhar-se disso, mas não é obrigado a conviver com alguém que o agride constantemente, por mais que depois peça desculpas. afinal, perdoar não significa permanecer no lodo. Nesses casos o que acontece é que você atinge o seu ponto de saturação, e todos temos um, e naturalmente acabará por se afastar dessa pessoa. Pode até não guardar mágoa, ressentimento, ódio, e não deve mesmo, mas sabe que é impossível a convivência com essa outra pessoa, que lhe faz mal, que por algum motivo não conseguem se entender de verdade. Esse é momento em que você, mantendo a sua dignidade, sai de cena.

Quem sabe se assim, vendo você longe, distante, indiferente, não cai finalmente na real e promove uma mudança real no seu temperamento e na sua vida? Há pessoas que só entendem as coisas como elas são quando se dão conta que chegaram ao fim da linha e que estão sós.

O mais importante, na minha opinião, é você fazer a sua parte. Porque você está certo. você tem razão. Você sabe a verdade, e isso deve bastar. Se a outra pessoa, um dia, realmente se modificar, dê mais uma chance ou quantas forem necessárias, mas vibrando sempre numa energia positiva.

Nada disso se consegue da noite para o dia, eu sei bem disso. É um processo interior que leva o seu tempo mas quando ele cria raízes na sua alma, nada o pode abalar. E você estará mais perto, cada vez mais, da iluminação.

7 comentários:

Rydi disse...

Já passei por isso :(, depois disso perdi uma amiga de 13 anos de amizade, era a minha melhor amiga, na verdade ela nunca foi minha amiga, eu era dela, só eu não me tocava, enquanto minha mãe e minha irmã viam isso.Depois dessa briga percebi que as coisas não eram mais as mesmas e que ela não era mais a mesma pessoa, ou, eu finalmente enxerguei quem era ela.

Angel disse...

É verdade, amiga, tem coisas que acontecem que são como um balde de água fria em cima de qualquer relação.
Quem sabe com o tempo ... o importante mesmo é você perdoar e se manter pura de coração.
Um beijo, minha amiga querida.
Angel.

sonia disse...

Ando perdida... muito perdida... Amo loucamente o meu namorado. Mas nem sei explicar a dor que sinto ... talvez voces me consigam orientar... imaginem o que e ouvir que sou uma chata porque ligo para ouvir a voz dele, pq sinto a falta dele, ouvir que nunca me ligara mts vezes pq n e assim.. que uns dias esta apaixonado por mim outros nao, que me diz ser a pior relacao que ja teve...isto dura ha 4 anos... eu vejo ele no facebook com outras mulheres e se reclamo sou eu que faço para haver discussao pq , para ele n tenho direito a opinar nesse assunto... qd tentei deixa-lo e ter outra pessoa fez me a vida negra, para eu voltar! mas tudo voltou ao mesmo. Estou infeliz, sinto-me sozinha... carente¨! Pq ele me diz que nunca dira que me ama... pq n me deixa entao? desculpem desabafar aqui... n estou bem

Angel disse...

Oi Sonia, desculpe demorar a te responder mas estive ausente aqui no Blog nos últimos tempos.
Querida, longe de mim julgar você ou mesmo o seu relacionamento, afinal eu não te conheço, nem todos os detalhes dessa história, mas ... gostaria que você se desse mais valor, se amasse mais e soubesse o quanto a sua pessoa é especial e importante para Deus. Se você vive num relacionamento infeliz há 4 anos talvez esteja na hora de cair fora e seguir a sua vida, buscar a sua felicidade.
Veja, você o ama, mas ele não a respeita, nem tem consideração pelos seus sentimentos. Quando você o deixou ele fez de tudo para tê-la de volta mas apenas para voltar a ser o que sempre foi. Você acha que isso é amor? E da sua parte? Será que o ama ou apenas está acomodada e com medo de recomeçar?
Se quiser conversar, mande um email para maximapati@hotmail.com
Esse email em breve estará disponível numa ferramenta aqui no Blog para quem quiser entrar em contato comigo, tá? Terei muito gosto em ajudá-la em tudo que eu puder.
Beijos meus e fique com Deus.
Angel.

Anônimo disse...

Bom, tive um relacionando que teve um filho, aí nos separamos ...
Conheci o meu atual namorado, e desde o primeiro momento percebi que ele se irritava fácil com as coisas. Mas até aí tudo bem, era só deixar ele no canto dele, que ele se acalmava e depois ficava tudo bem.
Até um certo dia, ele se irritar do nada, e começar a me xingar, começar a falar palavrões, sempre expulsar da casa dele.
Eu sempre fico quieta pra não deixar ele mais irrita, mas o fato de eu ficar quieta deixa ele mais nervoso ainda, sempre falando frases pesadas, falando que não é feliz, falando que é castigado, até jogando a culpa em mim pela gastrite que ele tem, sendo que ele fica com dor no estômago por qualquer motivo.
Eu no meu canto, e ele só atacando. Parece que ele quer me tirar do sério de alguma forma. E os meus únicos apelos são, "para pelo amor de Deus", " vamos ficar bem", "para de brigar à toa".
Aí ele começa a provocação, à toa não, você é a culpada disso, culpa toda sua.
Ou seja, vejo que a única escapatória dele é me culpar de tudo que acontece.
Eu sou uma pessoa que odeia palavrões, não falo palavrão de nenhuma forma.
E a única coisa que sei fazer é chorar aos prantos na frente dele, pois aquilo acaba com o meu psicológico

Anônimo disse...

Esqueci de falar um detalhe.
Como disse acima eu tenho um filho, eu apenas estou namorando ele.
Como será se eu casar com ele?
Sempre terei que me calar, mesmo eu não fazendo completamente nada?
E as agressões deles são verbais, nunca encostou o dedo em mim, e nunca ameaçou de me bater.
Mas as agressões verbais acabam com a minha auto estima, vejo as pessoas sendo felizes no relacionamento e eu me vejo pisando em ovos para falar com ele, pois qualquer palavra mal falada é motivo de nervoso ..
POR FAVOR ME AJUDEM!!!!

Anônimo disse...

Quando você casar com ele vai ser um deus nos acuda ele já é assim imagina se vcs se casarem mulher procure ser feliz com outra pessoa porque esse homem não serve pra você é vc ñ será feliz isso é só um passo pra as agressões físicas

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